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EL NIÑO/ 2016 deve seguir com intensa oscilação climática

Publicada: 24/02/2016 - Fonte: Glauco Freitas

Na reta final da safra do verão 2015/2016 no Rio Grande do Sul, em especial na região de Alegrete a preocupação continua com a possível quebra da produção, na perda da qualidade do grão e no aumento dos custos. É importante ressaltar, que o aquecimento no oceano Pacífico não é o único fator que impulsiona os padrões climáticos globais para o fortalecimento ou enfraquecimento do El Niño. Em nível regional, outros fatores influenciam e precisam ser avaliados, como, por exemplo, temperatura da água do oceano atlântico, bloqueios atmosféricos, umidade que vem da Amazônia, corrente de jato em altos níveis da atmosfera entre outros. Para começar entender a complexidade de prever o El Niño 2015/2016 para os próximos meses é importante ter como referência os acontecimentos nos dois mais fortes eventos de El Niño. O mais intenso foi de 1997/1998 e o segundo 1982/1983, que são comparáveis ao El Niño 2015/2016. Apesar de existirem algumas diferenças entre os El Niños nas regiões de aquecimento da água do mar no oceano Pacífico Tropical. A região do NINO 3.4 é considerada pela NOAA a melhor que correlaciona com a força do fenômeno ENOS do que outras regiões do Niño. Veja a figura 1.

Segundo os últimos estudos dependo da região aquecida pode provocar mais chuva ou até extensa e intensa estiagem, como ocorrida no verão de 2004/2005 no RS. Neste momento se vê algumas diferenças 1997/1998, 1982/83, com 2015/2016, que impactam o regime de chuvas no Sul do Brasil, em especial o Rio Grande do Sul. As regiões que estão a leste de NINO 3.4 que são o NINO3 e NINO1 + 2, quando se aquecem mais se observa aumento volumes expressivos do volume de chuva no Estado. Enquanto o NINO4 se verifica diminuição do regime de chuva no RS. Em Janeiro/2016 a região do NINO4 esteve mais aquecida comparada aos dois outros eventos. Enquanto a região NINO1 + 2 esteve mais resfriada. Cabe salientar que previsão que é para vários meses é de difícil precisão em determinar a distribuição da chuva ao longo do mês, como no cenário experimentado recentemente em janeiro. Entre os dias 12/02 até o dia 25/02, uma grande massa de ar seco e quente predominou sobre os Estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, impedindo que ocorressem chuvas significativas e bem distribuídas. Porém a tendência de haver volumes acima ou abaixo da média para um determinado período está mais preciso.  Essas oscilações entre as regiões fazem com que os modelos climáticos globais divirjam entre si, alguns indicando baixos volumes de chuva e outros altos volumes de precipitação para os próximos meses.

Nesse gráfico abaixo mostra a comparação dos principais modelos dinâmicos e estatísticos de previsão da temperatura da superfície do mar na região do NINO 3.4. Os modelos indicam uma tendência de enfraquecimento do El Niño. Veja na figura 2.

Esses indicadores não significam que o El Niño vai parar afetar imediatamente as condições meteorológicas em todo o globo, em especial o Sul do Brasil. Condições de El Niño fortes ainda existem no Pacífico Tropical e, ainda há um grande volume de águas mais quentes do que o normal relacionado ao El Niño abaixo do Pacífico Equatorial, Central e Oriental. Condições de El Niño forte é provável que existam até fevereiro a abril e fracas condições de El Niño podem durar até junho. Veja as figuras 3 e 4.

As análises dos modelos diferentes e de dados contam histórias diferentes. Os levantamentos dos eventos análogos contam uma história mais completa. Condições climáticas já conhecidas permitem a visualização das tendências para uma compreensão melhor dos fenômenos meteorológicos. O gráfico abaixo compara a distribuição da precipitação mensal na cidade de Alegrete nos eventos de El Niño Fortes com a média climática. Veja na figura 5.

O gráfico chama atenção pela grande semelhança entre os El Niños 1997/1998 com 2015/2016, em relação à distribuição e nos volumes de chuva entre setembro e dezembro

Cenário futuro

Chuva

FEVEREIRO: para o restante do mês a previsão é de chuva acima da média, com janelas curtas para a colheita. Também existe uma grande possibilidade de ocorrer fortes instabilidades que provoca chuva próxima da média climática em poucas horas.

MARÇO: os prognósticos indicam chuva próxima da média, com janelas mais longas para a colheita, porém as instabilidades também podem ocorrer de forma muita intensa em curto período de tempo. Diante disso, a tendência para o mês março é de termos bom desenvolvimento especialmente da cultura do arroz.  

ABRIL: são esperadas precipitações intensas com volumes expressivos que deve superar a média do mês para região.

Recomendações gerais para o final da safra 2015/2016

Com base nas análises atuais do clima, nos prognósticos gerados pelo nos modelos climáticos de precipitação e na analogia com 1997/1998, os produtores devem ficar atentos as intensas oscilações do clima e se preparar para colher de forma rápida quando o tempo seco irá favorecer, porque depois poderá ter chuva intensa trazendo grandes conseqüências na qualidade do grão e na produtividade, especialmente em abril. Ou seja, colher de forma mais rápida possível.

 

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